Mais de 50 pacientes ostomizados recebem atenção especial da Assistência Social

Secretária Manu Tensini Moura visitou a professora Neide Martim, que utiliza bolsa coletora desde 2023 e compartilha sua experiência para conscientizar a sociedade sobre as necessidades das pessoas ostomizadas.

Em Quedas do Iguaçu, mais de 50 pacientes fazem uso de bolsas coletoras e necessitam de cuidados específicos para manter sua saúde e qualidade de vida. Essas pessoas, conhecidas como ostomizadas, recebem atenção especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Mulher, Família e Idoso, sob a responsabilidade da secretária Manu Tensini Moura.

Nesta semana, Manu esteve visitando a professora Neide Martim, que utiliza bolsa coletora desde 2023, após sofrer um acidente de trânsito que comprometeu alguns órgãos e exigiu a realização de procedimentos cirúrgicos.

Desde então, Neide convive com as mudanças provocadas pela ostomia e com os cuidados necessários no dia a dia. Sua experiência também a motivou a compartilhar vídeos nas redes sociais, chamando a atenção da sociedade e dos órgãos públicos para a importância de políticas públicas voltadas às pessoas ostomizadas.

A professora também busca contribuir para a quebra de paradigmas e preconceitos que ainda cercam essa condição, muitas vezes motivados pela falta de informação e conhecimento da população.

Mais atenção e cuidados com os pacientes

Neide destaca que viver com uma bolsa coletora exige cuidados específicos e apresenta desafios que nem sempre são compreendidos pelas outras pessoas.

“Tenho a expectativa de um dia deixar de fazer uso da bolsa coletora, pelas dificuldades que um paciente enfrenta no seu dia a dia. É importante que os profissionais de saúde tenham um olhar diferenciado para os pacientes ostomizados, com um melhor gerenciamento e profissionais preparados para controlar e garantir a entrega dos materiais básicos, como as bolsas coletoras”, salienta a professora.

Ela também lembra que, mesmo sendo uma pessoa ostomizada, continua tendo uma vida ativa, com responsabilidades profissionais, tarefas domésticas e compromissos cotidianos.

“Preciso trabalhar, executar tarefas diárias em casa, ir ao mercado e realizar tantas outras atividades que se fazem necessárias”, destaca.

Ao recordar o acidente que mudou sua vida, Neide compartilha uma reflexão sobre o significado de sua experiência.

“Quando sofri o acidente, muitos me falavam: ‘Você é um milagre, Deus tem um propósito para a sua vida’. Quem sabe? Quem sabe seja compartilhar minhas vivências para ajudar àqueles que precisam”, afirma.

O relato reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a ostomia, oferecer acolhimento e garantir que as pessoas que utilizam bolsas coletoras tenham acesso aos materiais necessários e ao acompanhamento adequado dos serviços de saúde.

O que é um estoma?

O estoma é uma abertura criada cirurgicamente no corpo para permitir a eliminação de fezes ou urina, ou, em outros casos, possibilitar a respiração ou a alimentação. Quando essa abertura é realizada no intestino ou no sistema urinário, recebe denominações específicas, conforme o procedimento.

A ostomia pode ser temporária ou permanente, dependendo da condição clínica e da necessidade de cada paciente.

Entre os principais tipos estão:

Colostomia: realizada a partir do intestino grosso (cólon), permite a eliminação das fezes por uma abertura no abdômen. A consistência das fezes varia conforme a região do intestino em que o procedimento foi realizado.

Ileostomia: realizada a partir do intestino delgado (íleo), permite a eliminação de conteúdo intestinal geralmente líquido ou pastoso, que pode provocar irritação na pele ao redor do estoma.

Urostomia: procedimento que cria uma via alternativa para a eliminação da urina, geralmente por meio da conexão dos ureteres a um segmento intestinal que forma o estoma.

A importância da bolsa coletora

A bolsa coletora é um equipamento essencial para muitas pessoas ostomizadas. Ela permite armazenar fezes ou urina eliminadas pelo estoma, contribuindo para a higiene, a segurança e a qualidade de vida do paciente.

O equipamento geralmente é composto por uma bolsa e uma base adesiva que permite sua fixação ao abdômen, ajudando a proteger a pele ao redor do estoma.

Existem diferentes modelos de bolsas coletoras, e a escolha depende do tipo de ostomia, das características do material eliminado, das condições da pele, da rotina e das necessidades individuais de cada pessoa.

Por isso, o acompanhamento dos profissionais de saúde é fundamental para orientar os cuidados, prevenir complicações e garantir o acesso aos equipamentos e materiais necessários.

Além da assistência médica, o acolhimento social, a informação e o respeito são fundamentais para que as pessoas ostomizadas possam exercer suas atividades cotidianas com dignidade, autonomia e qualidade de vida.

Pessoas ostomizadas tem direito ao reconhecimento como PCD

Um aspecto importante que merece atenção é o reconhecimento dos direitos das pessoas ostomizadas. A legislação brasileira prevê o enquadramento de pessoas com ostomia como pessoas com deficiência (PCD), conforme a Lei Federal nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão) e as normas aplicáveis.

Esse reconhecimento é importante porque pode garantir acesso a direitos e políticas públicas específicas, conforme os critérios legais de cada benefício, incluindo medidas de acessibilidade, atendimento prioritário e outros direitos previstos na legislação.

O diz a secretaria de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde de Quedas do Iguaçu informou à reportagem que, desde o início da atual gestão, em janeiro de 2025, os trabalhos da Farmácia Básica foram intensificados, com ampliação expressiva da quantidade de medicamentos disponibilizados à população, incluindo bolsas coletoras para pacientes ostomizados.

A Secretaria também destacou que o setor vem passando por ações de reestruturação e informatização, com o objetivo de tornar o atendimento mais ágil, eficiente, digno e humanizado, garantindo melhores condições de acesso aos medicamentos e mais qualidade na assistência prestada aos pacientes.